Maison Margiela Revela Novo Capítulo com Miley Cyrus na Campanha Outono/Inverno 2025

Descubra como a icônica maison belga, conhecida por sua essência anônima, rompe tradições ao eleger Miley Cyrus como sua primeira estrela global, capturando a essência de inovação e ousadia sob a visão de Glenn Martens.

A Herança de Anonimato e Deconstrução na Maison Margiela – Fundada em 1988 pelo visionário designer belga Martin Margiela, a Maison Margiela emergiu como uma força disruptiva no mundo da moda, desafiando as convenções estabelecidas com uma abordagem que priorizava o vestuário sobre o espetáculo pessoal. Desde seus primórdios, a marca adotou uma postura anti-celebridade, onde o anonimato não era mero capricho, mas uma declaração filosófica. Margiela, que raramente concedia entrevistas e nunca aparecia em desfiles, optava por modelos com rostos cobertos ou apresentações em locais inusitados, como estacionamentos abandonados ou estações de metrô, para que o foco permanecesse nas peças – deconstruídas, recicladas e impregnadas de uma narrativa poética de imperfeição. Essa ethos refletia uma crítica sutil à era das supermodelos e ao culto à personalidade que dominava a indústria nos anos 1980 e 1990, inspirando gerações de designers a questionarem o que significa luxo autêntico. Por que, afinal, uma roupa precisa de um rosto famoso para brilhar? Essa pergunta retórica ecoa até hoje, convidando-nos a refletir sobre a essência da criação artística em meio ao ruído comercial.

Ao longo de sua trajetória, a icônica Maison Margiela consolidou códigos icônicos, como as costuras expostas, os sapatos Tabi – inspirados em calçados tradicionais japoneses – e a técnica Bianchetto, que aplica camadas de tinta branca sobre acessórios para evocar um senso de uso e história pessoal. Sob a direção criativa de John Galliano por mais de uma década, a marca manteve sua aura misteriosa, misturando teatralidade com desconstrução, mas sempre evitando endossos de celebridades globais. Relatórios recentes de publicações especializadas destacam que, até 2024, a Maison Margiela resistiu à tendência de parcerias com estrelas, optando por campanhas conceituais que priorizavam a narrativa conceitual sobre o apelo midiático. Essa estratégia não apenas preservou sua integridade, mas também impulsionou um crescimento sustentável, com vendas anuais estimadas em centenas de milhões de euros, conforme análises de mercado da indústria de luxo. Em um mundo onde a moda muitas vezes se rende ao efêmero, a Maison Margiela nos lembra que o verdadeiro luxo reside na sutileza, naquilo que sussurra em vez de gritar.

A Transição para uma Nova Era sob Glenn Martens

Em janeiro de 2025, Martin Margiela iniciou uma nova era ao anunciar Glenn Martens como seu novo diretor criativo, sucedendo Galliano em um movimento que sinalizou uma evolução sutil, mas profunda. Martens, o talentoso designer belga conhecido por seu trabalho inovador na Y/Project e na Diesel, trouxe uma infusão de energia contemporânea, mesclando o legado de desconstrução da Maison Margiela com toques de streetwear e experimentação técnica. Sua estreia ocorreu em julho de 2025, durante a Semana de Alta-Costura em Paris, onde apresentou uma coleção que explorava temas de transformação e identidade, com silhuetas dramáticas e materiais reciclados que ecoavam o DNA da maison, mas com um viés mais acessível e dinâmico. Críticos da Vogue e do WWD elogiaram a apresentação por sua “explosão de ideias”, destacando como Martens equilibrou o anonimato tradicional com uma narrativa mais inclusiva, abrindo portas para diálogos globais sobre sustentabilidade e expressão pessoal.

Essa transição reflete tendências mais amplas na indústria da moda de luxo, onde marcas históricas buscam equilibrar herança com relevância contemporânea. De acordo com relatórios de 2025 da Business of Fashion, o mercado de alta-costura cresceu 15% no último ano, impulsionado por consumidores jovens que valorizam autenticidade misturada a ousadia. Martens, com sua visão “barulhenta”, como ele mesmo descreveu em entrevistas, promete elevar a Maison Margiela a novos patamares, integrando elementos pop sem comprometer sua essência avant-garde. Imagine uma maison que, após décadas de sombras, emerge para abraçar a luz da cultura popular – não como rendição, mas como reinvenção. Essa mudança não é abrupta; é uma evolução que honra o passado enquanto flerta com o futuro, convidando-nos a questionar: o que acontece quando o invisível se torna visível?

O Papel de Miley Cyrus na Redefinição da Visão da Marca

Pela primeira vez em seus 37 anos de história, a Maison Margiela elegeu uma celebridade global para estrelar sua campanha, marcando um ponto de inflexão sob a direção de Martens. Miley Cyrus, a multifacetada artista americana conhecida por sua metamorfose constante – de ídolo teen a ícone de empoderamento – personifica essa nova fase na campanha Outono/Inverno 2025, intitulada “Loved To Death”. Cyrus aparece em retratos pintóricos, coberta apenas por tinta corporal branca que remete à técnica Bianchetto, segurando bolsas icônicas como a 5AC e calçando as botas Tabi pintadas, em um gesto à herança da maison. Essa escolha não é aleatória; reflete a sinergia entre a rebeldia de Cyrus e a desconstrução da marca, criando uma narrativa que transcende o comercial para tocar o emocional.

A Maestria Fotográfica de Paolo Roversi

Capturadas pelo lendário fotógrafo italiano Paolo Roversi, as imagens da campanha evocam uma qualidade etérea, quase pictórica, onde Cyrus é transformada em uma tela viva. Roversi, mestre em retratos suaves e iluminados por luz natural, colaborou previamente com Cyrus, mas aqui eleva o conceito a um novo nível, misturando nudez artística com elementos da Maison Margiela, especialmente na coleção Avant-Première. As poses, que incluem vestidos transparentes de plumas e silhuetas estruturadas, capturam uma vulnerabilidade crua que dialoga com temas de amor, morte e renascimento – centrais na visão de Martens. Em um cenário minimalista, a campanha não apenas vende peças, mas conta uma história, convidando o espectador a uma reflexão íntima sobre identidade e transformação. Por que a nudez, em sua forma mais pura, ainda choca e fascina? Roversi nos lembra que a beleza reside na imperfeição, no que é sugerido em vez de exposto.

Impacto e Tendências na Moda Contemporânea

Essa campanha não é isolada; ela espelha uma tendência crescente onde marcas de luxo integram celebridades para ampliar alcance, sem diluir sua identidade. Análises de 2025 indicam que parcerias como essa impulsionam engajamento em redes sociais em até 30%, conforme dados da Fashionista e da Hypebeast, ajudando a atrair uma audiência millennial e Gen Z que busca autenticidade. Para a Maison Margiela, essa virada pode significar um aumento em vendas de acessórios icônicos, como as bolsas e botas Tabi, que já viram um boom de 20% em buscas online pós-anúncio. No entanto, o verdadeiro triunfo reside na capacidade de Martens de manter o mistério enquanto abraça o mainstream, provando que inovação e tradição podem coexistir harmoniosamente na Maison Margiela.

Outros artigos